terça-feira, 13 de julho de 2010

criação : os encantos da vida [1]

Faltavam poucos minutos para o amanhecer, eu agitado em meu pequeno quarto figurado por blocos de tijolos e madeira marrons, sintonia total com uma olaria. Com um xarope de guaraná comi alguns cubensis. Embora um tanto cansado, cantava festivas músicas ao longo do que ia sendo tomado por extrema sonolência. Os grandes mestres azulados cobriam-me com um ardente manto, me pondo à cama com força. Resisti cambaleante àquele sono que estava mais que claro ser o necessário e inevitável à minha condição no tal momento. Era aquele meu fatal destino – mas desviamos nossos caminhos.

Olhos cerrados, membros pesados. O delicioso manto cobria-me mais a cada passo, ao ponto de prender-me à cama por vários segundos, intercalados em acessos de euforia seguidos de disforia. Iniciaram-se as náuseas. Todo meu corpo vibrava em disparos frenéticos de substâncias; o campo de visão tendia a fundir-se todo num único denso vítreo objeto. Eu via constantemente deslocamentos de tijolos para dentro uns dos outros, o display colorido do Som, mesmo a poucos centímetros, era indecifrável. Sob forte excitação nervosa, eu observava curioso, atento, paciente, até dedicado: disparei em tremendas gargalhadas! A excitação aumentava; cada toque meu corpo ardia em prazer, logo estava em completo êxtase. Acompanhando esta sensação havia uma náusea. Eu sentia algo cíclico “passeando” pelo meu corpo, começando pelos pés, passando pelo estômago chegando à parte traseira da cabeça.

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